Afinal, os peixes tem ou não memória?


 
Todos já ouvimos falar na crença popular de que os peixes são desmemoriados, e que tudo o que vêem, esquecem em poucos segundos. Inclusive dizem que o mais burro é o dourado de aquário que só consegue reter lembranças de 2 segundos: - "Oi, prazer eu sou o Dourado... Oi, prazer..." O paradigma deste mito foi também bem representado em Dory, a peixe que esquecia tudo em Buscando Nemo.
 
No entanto, isto, conforme dito, é um mito sem nenhuma sustentação científica: os peixes têm uma memória que pode remontar a vários meses no passado e até podem aprender alguns truques de um adestrador com paciência. Por exemplo, associando um som com comida, algo que continua sendo feito pelo peixe meses mais tarde. Isso indica que têm ao menos algum tipo de memória a longo prazo.
 
O que sim é verdadeiro é que cada espécie de peixe tem um nível de memória maior ou menos. Inclusive em uma mesma espécie podem ser encontradas diferenças. O problema reside em que, diferente dos mamíferos, é muito difícil averiguar se um comportamento está originado na memorização ou por outros fatores. Kevin Warburton, especialista no comportamento destes vertebrados, da Universidade Charles Sturt, na Austrália, afirma: 
 
 - "A maioria das pessoas desconhece o comportamento destas criaturas, cometendo o erro de achar que quando não há pesca é porque esgotaram os recursos ou os peixes foram embora, quando em realidade, o que pode estar acontecendo é que sim estão ali, mas já não caem na armadilha. Nos últimos 15 anos pesquisou-se muito sobre a aprendizagem e a memória dos peixes, e demonstrou-se que são bastante sofisticados neste sentido".
 
Em um recente experimento com diferentes espécies de água doce, Warbuton e seus colegas analisaram estes animais primeiro em seu ambiente natural e depois em um tanque, oferecendo-lhes alimento em diferentes zonas e expondo-os a predadores para observar seus movimentos. Desta forma confirmaram que os peixes têm sim memória em longo prazo, e que aprendem a conhecer seu hábitat e associam a abundância de alimentos ou perigos com determinados lugares.
 
Eles utilizam esta informação para identificar vias de fuga no caso de uma ameaça, e também para traçar suas rotas favoritas. Ademais, se há que inspecionar uma zona onde suspeitam que há um predador, é habitual que o façam por casais para aumentar a segurança, como o fariam um par de parceiros policiais.
 
- "Por exemplo, uma carpa que mordeu o anzol e teve a sorte de escapar, recorda a experiência traumática e evita os pescadores durante vários meses. Esta coisa de que peixes têm 3 segundos de memória é uma autêntica besteira", conclui.

Fonte: 
http://www.ndig.com.br/